Lembro-me de Tite o treinador do Corinthians, quando ficava bravo com alguém, gesticulava e gritava: você fala demais.

Tivemos a primeira crise mundial originada nos EUA e o nosso executivo falava que era uma marolinha, depois tivemos a gripe suína e também se repetia a posição: não é nada, é passageira.

Veio a segunda crise e continuou o mesmo pensamento e ai eles se vangloriavam que o País passou a ser a 6ª economia mundial, posição adquirida pela queda em números momentânea da Grã Bretanha.

Falamos muito na retração de investimentos, há séculos, na área de estrutura e infraestrutura de energia e veio logo a crise do apagão.

Está faltando mão de obra no País, tanto qualificada como não. O problema é que ninguém faz nada para eliminar esses ruídos ou gargalos. Há quanto tempo vem se sentindo isso e ninguém faz nada, aliás, no País é em tudo.

A CNI divulgou uma pesquisa que aborda essa questão crucial que é a falta de mão de obra qualificada.

Aponta-se que tanto no setor extrativo como no de transformação existe uma falta de mão de obra qualificada em torno de 65% e isso está prejudicando o crescimento e o desempenho das indústrias.

Nossas médias e grandes indústrias é que estão sofrendo bastante com o problema, pois de acordo com a pesquisa feita em 2011, o valor relativo passa de 66% para 68%, a dificuldade de encontrar as pessoas certas para o trabalho.

Isso explica a curva descendente da produção industrial nesses últimos anos e que pode se agravar ainda mais.

O governo tenta de toda forma incentivar com algumas medidas o crescimento industrial e a volta de investimento, mas se isso acontecer vamos agravar o problema da falta de mão de obra qualificada.

E apesar de termos consciência de que o setor mais grave seria o de produção, os dados da pesquisa apontam que 68% da demanda e dificuldade está centrada no setor administrativo assim dividido: 67% engenheiros; 61% vendas e marketing; 60% Gerencias e 59% pesquisa e desenvolvimento.

Tivemos uma pesquisa em JF donde pudemos perceber que as indústrias deveriam reter talentos, deveriam adotar Plano de Cargos e Salários e investir em treinamentos internos e externos.

Existem potenciais para isso, algumas estão investindo na capacitação e em programas de trainees. Dados como (Brasil): 81% das indústrias desenvolvem programas de treinamento, 43% investem em retenção de talentos e oferta de salários e benefícios e por fim, 38% investem em capacitação fora das empresas. Porém existem indústrias que adotam estratégias de substituição da mão de obra por máquinas, chegando a 24%.

Quando surgiu o tema Apagão, os jornais e revistas e palestras, debates, fóruns, aconteceram a rodo no País, achei que mesmo sendo tarde iríamos encontrar a solução dos problemas, me enganei, pois sai essa noticia de que 65% de mão de obra qualificada estão afetando as indústrias brasileiras, lembrei do Estado da Bahia, donde por brincadeira saudável, falamos que as coisas andam devagar.

Temos que acordar temos que ser proativos, temos que ter iniciativa, temos que quebrar esse paradigma, a linha tropical não pode fazer tanto mal ao Brasil.

Temos instituições que estão dispostas a participar desse multirão de qualificação de mão de obra, como: Fiemg, Sebrae, SENAI, Centro Industrial e etc.

Será que o efeito Bolsa família é que está provocando isso tudo, pois para que trabalhar se o Governo ajuda, já existem casos por ai.

Acredito que o treinador do timão é que está com a razão: Tem gente falando demais.