Em pleno século 21 ainda existe esse gargalo no processo de administração de empresas e entidades.

O Brasil é um dos países com o maior número de mortalidade empresarial, correspondendo a 26,4%, em empresas com mais de 2 anos de existência, numero bem inferior aos países da Europa que apresentam apenas 7%. (EUR -LEX Europa).

Há uma necessidade de se entender no meio empresarial o que significa Administração. Administração é o ato de administrar ou gerenciar negócios, pessoas ou recursos, com o objetivo de se alcançar metas determinadas.

Não adianta estar dotado de habilidades e especialidades de sua profissão se você não está capacitado para gerir o seu negócio. Isso, vimos constantemente em administração pública em diversos ramos, como Governo Federal, Estadual e Municipal. Vimos esses sintomas nas Câmaras Municipais, nas Secretarias e Chefias, donde o valor principal é a confiança ou o favor político, destruindo a administração, excluindo de vez a competência. A falta de visão do suposto Líder é que se pode administrar escolhendo pessoas que detém capacidade para gerir as suas demandas, mas eu arguo: ele sabe as suas demandas? Ele tem definido as suas diretrizes? A unidade é o retrato de seu Líder e não de seus comandados.

Na área privada, também existem problemas da mesma natureza, pois é comum médicos se tornarem diretores de hospital, advogados gerindo escritórios de advocacias, arquitetos e engenheiros assumindo direção de construtoras, entidades e federações.

Como a corrupção, o nepotismo está por todo o lado. Por isso, que eu falo que o nosso problema tem raízes fortes na cultura, originada de uma fraca politica de educação. Muitas pessoas me questionam sobre o apagão de mão de obra no ambiente produtivo, lógico que a politica educacional tem seus efeitos severos nesse processo, mas a falta de capacitação é mais grave, não adianta entender o fazer, é necessário saber fazer e aí é que entra o investimento de treinar seu pessoal. Não esquecer jamais que treinamento é investimento e não custo.

O apagão no meu conceito não é só na mão de obra produtiva, tem um percentual bem representativo no âmbito empresarial. Você se tornou empresário por necessidade? Ou porque você se capacitou? Ou porque baixou o espirito empreendedor? Sintomas são muitos e destaco com um dos principais a não retenção de talentos o que tem provocados o seu fim, nos tempos de hoje. Em minha passagem pelo Centro industrial de Juiz de Fora, nos cursos e treinamentos ministrados pela entidade, nunca vi a participação de um empresário e sim seus funcionários. Será o porquê? Nós temos que aprender a aprender. O mundo está evoluindo e corremos o sério risco de ficarmos analfabetos, por não nos atualizarmos e buscarmos conhecimentos novos. O empresário não precisa fazer a contabilidade, mas precisar entende-la e seus os seus componentes. O Sebrae capacita empresários com o curso Contabilidade para não contadores. É a mesma coisa dos candidatos a vereança, eles são eleitos pelo povo, mas não detém o mínimo de conhecimento da administração pública, o dos seus afazeres e aí contratam pessoas que tem não conhecem e aí me lembra o meu Guru Mello Reis, puro achismo. Nos tempos de hoje não pode mais existir achismos.

Vi em entidades além da não capacitação ou competência técnica dos ditos lideres, pura vaidade de ser. Desconhecem os riscos que a administração o expõe. No Governo Federal vimos os exemplos da Administração da Petrobrás. As pessoas desconhecem o que estão assumindo, como vários que conheço que participam de Conselhos. Existem participantes porque a ele foi determinado, existem aqueles que participam por solicitação de composição de chapa. Nada de profissionalismo ou idealismo. Desconhecem o que é Conselho Administrativo e o que é Conselho Fiscal. Se omitem na fiscalização e conhecimento das contas. Me lembra muito o presidente anterior do País, que quando era arguido, respondia: não sei, não vi nada, não tenho nada com isso.

A Corrupção no País prolifera devido a essa cultura aplicada de sempre levar vantagem. O equilíbrio capital/trabalho é uma falácia. Todos são inimigos. O patrão quer cada vez mais e exige do empregado também cada vez mais, com menos remuneração, não o vê como um colaborador e sim um objeto. Já o empregado vê o patrão como um aproveitador, um prepotente, um fascista. Ninguém se entende, são raras as exceções de empresas que dão valor aos seus empregados e os valorizam monetariamente e culturalmente. Ë preciso mudar urgentemente esse conceito.

Exemplos de eficiência e eficácia em gestão de entidades  estão estampadas em nossa cidade pela Administração do Sindicomércio, da Fiemg Regional e unidades do Sistema S. Empresas de médio e grande porte aonde existem executivos profissionais na gestão. Um exemplo são muitas das empresas de Ubá, aonde o processo de sucessão deu certo.

Lessandro Herbert é um dos empresários que me impressiona, pela sua visão contemporânea e pelo seu empreendedorismo, sedimentado pela competência. O Herculano pela sua atitude empreendedora e visão do processo sucessório empresarial e os nossos amigos Jovino e Paulinho pelo exemplo de empreendedorismo com o emprego de profissionalismo na gestão.

Ë mais fácil demitir pessoas do que empregar conhecimentos da administração na empresa e talvez esse seja o grande gargalo do desenvolvimento empresarial.

Por fim, concluo que tem muito cacique para pouco índio, muita luz e pouco som, as pessoas querendo ser o que não são. Vamos ser humildes e reconhecer o nosso lugar. Vamos aprender a ser administrador e vamos dar exemplo a sociedade. Buscamos qualidade e equilíbrio, podemos transformar nosso habitat, pelos menos tente, não vamos inverter valores.